Turismo Cultural

Turismo Cultural a Emília Nogueiro - Visitas Guiadas, Galeria de Arte, Unipessoal Lda.

De: Emília Nogueiro - Visitas Guiadas, Galeria de Arte, Unipessoal Lda.  10/14/2008
Palavras-chave Pintura, Livrarias, Escultura

Bragança //
Projecto de vida
Por: Aida Sofia Lima /
Secção: O Olhar / 4 Julho 2008 / Jornal MENSAGEIRO NOTICIAS

Quando percorrer as antigas ruas de Bragança é mais do que passear. Quando caminhar pressupõe interpretação e conhecimento nas palavras de quem sabe e vai contando. Quando se pára, entra e se vê que a arte até cabe na pequena sala pintada de branc É no número 35, da Rua Abílio Beça, em Bragança, que o espaço História e Arte tem morada há cerca de um ano. Um conceito novo que proporciona actividades diversas, compreendidas entre visitas guiadas ao património histórico da cidade, serviços museológicos, inventário, conservação e exposição de objectos, exposições de artes plásticas de artistas locais, organização de cursos de artes plásticas, pesquisas genealógicas e ainda uma secção bibliográfica. Passando as antigas e estreitas portas de madeira e vidro, emerge uma sala onde o branco impera, cortado pela cor e forma dos objectos que a preenchem. Contornando as esculturas e lançando um olhar de relance entre as exposições de ilustração científica e aguarela que polvilham as paredes, a conversa surge quando se atravessa a porta vestida com o trajar de um careto. Ao som de música clássica, Emília Nogueiro, a mentora de um plano que sempre se quis diferente, conta como tudo começou: “o projecto nasceu das visitas guiadas. Sou licenciada em História e já tinha tido a oportunidade de orientar visitas, quer em Lisboa, numa embarcação macaense, quer, mais tarde, no Museu Abade de Baçal. Aprecio muito orientar visitas guiadas, pelo que tudo começou por aí”. “Percebi que não existiam guias permanentes no centro histórico de Bragança e foi para colmatar essa lacuna que a ideia surgiu”, acrescentou. E no dia 25 de Julho de 2007, Emília abriu as portas de um espaço, que acabou por abraçar outras áreas relacionadas com a arte, criando uma sala de exposições “fundamentalmente para ser utilizada por artistas locais, ou naturais da região, ou autores que, não sendo transmontanos, escolheram o distrito para viver, existindo um fio condutor comum, Trás-os-Montes. E isso sente-se”.
Público espanhol é quem mais solicita visitas guiadas Mas recuando à génese e às visitas, “buenos dias” poderá ser a palavra de ordem da guia, uma vez que é o público espanhol quem mais solicita os seus serviços, o que Emília justifica no facto de este “ter já uma cultura de turismo muito implementada no próprio país, pelo que, quando vai para fora, gosta de aceder a este género de serviço, de acompanhamento mais personalizado”. Contrariamente, o público nacional “tem maior relutância em solicitar visitas guiadas, quer por contingências económicas, culturais, falta de hábito...”, referiu, assumindo que poucos são os portugueses, e muito menos da região, que participam em visitas guiadas. “Não costumo ser requerida pelas pessoas da região. Inicialmente, uma das minhas apostas era o público sénior, optando por visitas mais temáticas e mais curtas, como, por exemplo, a uma igreja, nesta época um lugar fresco e que permite fruir de forma contemplativa as peças que se encontram no interior, mas, de facto, não tenho tido procura nesse sentido”. E, no que diz respeito ao público mais jovem, apenas uma ou outra escola de fora vai usufruindo de uma visita guiada. “As escolas, na maioria dos casos, não dispõem de verbas para este género de actividades e as poucas que têm preferem utilizá-las em passeios e visitas fora, o que faz sentido, pois para muitos miúdos é uma oportunidade única, que não têm fora do contexto escolar”, explicou. Apesar de surpreendida com uma adesão menos frequente dos habitantes locais, Emília Nogueiro, de olhar tranquilo, compreende e, quase em jeito de desculpa, vai explicando “que os brigantinos não conhecem a sua cidade, mas isso não é apanágio nosso. Santos da casa não fazem milagres e as pessoas mais facilmente conhecem o Guggenheim de Bilbao, ou o Louvre, em Paris, e, provavelmente, nunca entraram no Museu Militar, ou no Abade de Baçal. Mas isso é comum, até porque as pessoas ainda não estão sensibilizadas para amarem o que é delas”. E no ambiente fresco que as grossas paredes proporcionam, a conversa decorre, já longe das visitas guiadas ou dos workshops que História e Arte vai promovendo, cruzando o caminho da arte e do enraizamento cultural na região. “Há vários museus e espaços culturais em Bragança. Se olharmos para o investimento local e estatal nessa área, temos a percepção que a cidade é um centro imparável de cultura. Agora existe alguma dificuldade em que toda essa estrutura comece a dar frutos eficazes”, analisou Emília. Contudo, como sublinhou, “não existem espaços culturais a mais. Nunca são demais, pois vêm colmatar algo fundamental e determinante para a felicidade de um povo”. Sem adoptar uma postura demasiadamente crítica, a guia refere que o que escasseia é um trabalho de coordenação. “Penso que as estruturas deviam trabalhar mais em conjunto. Existindo tanta oferta cultural, parece que todos esses emissores trabalham isoladamente, não existindo cooperação entre eles”. Afectividade impôs regresso às origens Com o tempo como barreira primordial a transpor, acredita que, a nível cultural, a questão progride de forma positiva e que, mais cedo ou mais tarde, dará os frutos desejados. E lembra o seu exemplo, cujo percurso seria menos sinuoso no litoral, mas que a afectividade do lugar impôs um regresso à terra onde nasceu. “Sou de cá, mas não estudei nem iniciei o meu percurso profissional em Bragança. Optei por regressar, no entanto não foi a opção mais fácil, mas aquela em que acreditei”, conta. Acrescenta ainda que “quem procura oportunidades não vem para o interior. Quem fica no interior é por amor à causa, por uma paixão e opção de vida”. Estudou no Porto e em Sevilha, trabalhou no norte, em Lisboa e na Guiné Bissau, assumindo que as oportunidades sempre estiveram fora. Mas a opção foi consciente e não se arrepende, apesar de sentir diariamente o peso da interioridade. Encara o projecto como um “desafio grande”, ao qual se entregou completamente. Do futuro, para já, faz parte a conclusão do workshop de ilustração científica que está a promover, o alargamento do horário de funcionamento que no Verão se concentra entre as 10h e as 19h, e incluiu fins-de-semana, bem como a realização de um workshop de desenho que deverá acontecer em finais de Setembro. Tendo o tempo como senhor, Emília acredita que o seu projecto, que define como “uma coisa que me é muito querida e na qual tenho muito empenho pessoal”, se consolidará dia a dia, realizando uma vontade que não gosta de pensar se para sempre, por medo, mas à qual imprime persistência e convicção. “O História e Arte é como um reflexo de mim e daquilo que idealizei como projecto de vida. Estou empenhada e continuo apaixonada pela ideia, sem nunca pensar em desistir”, concluiu.

Palavras-chave Cursos de Artes Plásticas, Escultura, Galeria De Arte, Livrarias, Pesquisas Genealógicas, Pintura, Serviços Museológicos, Visitas Guiadas,

Contacto Emília Nogueiro - Visitas Guiadas, Galeria de Arte, Unipessoal Lda.

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