Luis Garcez

Luis Garcez a GARCEZ SEGUROS

De: GARCEZ SEGUROS  06/15/2007
Palavras-chave Seguros , Mediadores

Soft e naif são os termos que mais me ocorrem quando penso no novo quadro legal. Pessoalmente, estava preparado para responder perante o 1º projecto, o qual, com todos os seus defeitos, pelo menos permitia melhoramentos. A actual lei, por demasiado tardia e ligeira e não prevendo a obrigatoriedade de revisão temporal, veio instaurar uma permissividade exagerada. Penso mesmo que a lei é contraditória e estará, pelo menos, ferida de incongruência, porquanto o espírito da lei, expresso no seu preâmbulo, não está inteiramente consubstanciado no seu texto. Vejamos: O legislador diz ser sua intenção a salvaguarda dos direitos do consumidor. No seu articulado cria o mediador ligado, que limita o poder de escolha do consumidor e que, por só trabalhar com uma seguradora o vai influenciar não pelo que é melhor e mais adequado ao cliente, mas vai-lhe tentar vender o que tem na prateleira ou o que está em campanha, porque lhe dá pontos para o tão desejado chapéu-de-chuva com o logotipo da seguradora. Temos também o vendedor de selos (CTT) que também lhe vende um segurito mais barato, porque senão… vai para a bicha. O legislador diz ainda que o mediador assiste o contrato, especialmente em caso de sinistro. Como vai ser? Vamos poder marcar peritagens nos CTT ou ao balcão de uma mercearia cujo balconista é também o mediador? Já hoje nos deparamos nos bancos com filas enormes por alegada falta de pessoal, quando 2/3 dos funcionários estão ocupados a vender apólices pelo telefone ou em puro assédio aos utentes, numa tentativa de vender este ou aquele seguro porque têm se fazer números. Quem sabe? Se o sr/srª quiser um seguro, até o/a levo para uma secretária e é tudo mais rápido.In "Vida Económica" de 02 de Março ed 2007

Palavras-chave Mediadores, Seguros